sábado, 21 de dezembro de 2019

Mariposa sobre a porta, morte
Bisavó dizia, na casa, cheiro velho de azeite

Mariposa no travesseiro, mariposa alucinação
zumbido dos tons de loucura
indagações da realidade.

Procurar pistas na existência
Você não tem mais oito anos
Seus cabelos não mais enrolam
Seus braços não são mais tão finos
Seu medo não é da história de ontem
Seu medo é da realidade.
Você não está aqui.

Ergo meus olhos para a mariposa na ventania 
Sugando em momentos selvagens
Flores gordas frutíferas
Embaixo o gato
Em cima nada, de tanto.

Mariposa sobre a porta, morte
apareceu uma mariposa entre os travesseiros
Mas pensei que o inseto era eu.
De qualquer forma eu achei asas.
uma fita cassete tocando em uma estrada longa demais
nem meio dia
e eu já rompida

se é carne tolida na pia
escrutine cacos, vidros e saída.

não haverá famigerância 
O amor é um caminho de formigas

Formigas mais magras que pelos
livres da púbis

Formigas negras penetrando
terra rompida

tão fundo vai?

quão fundo vai? 
Desdiga pela metade
meandros de labaredas
desses dedos mecânicos negros

Sonhei grotesco em calmaria
Chuvas menos abençoadas
Reverberaram tuas possíveis preces

Toda fruta em decomposição
tem cheiro doce e ocre

No meu crânio fica uma pressão
Se o eu vazasse
Se o eu vazasse

Mas não quero mais
poças de mim pelo chão

Achei que amaria o artista
E olho para esse vertebrado preto
que se enrola em si
depois rente como cobra
depois no medo espiral

e se existisse sorte?

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

em épocas de encerramento de ciclos
só vamos enfiando os ciclos nos buracos da casa
nas gavetas vazias
são muitos os ciclos
não quero cair naquela mola de criança.


mas em épocas de encerramentos de ciclos
boto fogo em foto
cheiro cartas

lembro aos pouquinhos a mulher que sou
para mandar foder
todo ciclo que é veneno
a mulher que acreditava em promessas
ou
a garota que passava tardes idílicas no limbo

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Eu sei a resposta
mas mesmo assim
creio na voracidade
de perguntar o porquê
que empala o instante
a veracidade que tive em cada ai
O eu treme
ou é a iris dos olhos
que desfoca o que está lá, tão longe
que já desfoca promessas que não vão se cumprir
sonhos agora bobos

sonhos bobos
pois o olho virá mar.

grandeza de lágrimas
iniciam fazer desfoques
depois tudo não passa de borrão

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

sábado, 30 de novembro de 2019

Uma vez expeliu
mentira, que fosse como os Cesares
que seus olhos estivessem fechados
Afinal a cretina já estava na posição errada.

Então expeles aos dias
não dá a luz, mas os berros
expeles aos dias
não dá a luz, mas as distorções

Distorções que o corpo faz
a expectativa mole
como um bebê não rijo

Expulsa-me
Expulsa-me, o prazer do dedo em riste
Expulsa-me duplamente.

Mas onde eu posso ir, se já estou no inferno?
Que tal conhecer as praias do caos?

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Gravitar gravida de enchentes,
coisa de mulher,
tempestde assm, saudade assim, alamar assim.

Se o fim for queda pertinente
aridez das misecordias, que verdade foram extremidades
Há lugar comum certo na tenda dos desajustados
mordaça é sempre cortesia.

Se o inicio for
Direi das plumas grávidas
lentas, entre ex-engenhos e suas reproduções
insustentáveis,  inaudíveis, abaláveis.
Direi de um voo. uma pena menina, ainda pulsou em palma de mão.

sábado, 23 de novembro de 2019

Como eu odiava
o som dos seus passinhos
a me seguir pela tarde
tal qual sombra, menos dois anos

Odiava seus medos durante a noite
que acendia a luz do meu quarto que já era castelo
querendo compartilhar a cama, meu reino
enrolando os travesseiros, dois anos a menos

Odiava seus vestidos mais bonitos
Sua inocência mais adoravel
Aquela sandalinha vermelha de tiras
a confusão do dia que estiquei os pés
e tentava entender qual era você

Eu posso ter me irritado,
Mas quando ventava forte
eu colocava seu corpo junto do meu
para não entrar poeira nos seus olhos
e doer

do que somos, é único e abençoado
não existe nada antes
nem depois.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Se a luz espiralada está ligada
sei que nos quatro cantos do quarto
se entreva a escuridão. densa, calada

Apague todas as luzes

Deixe a noite diluída entrar
Deixe os tornarem-se parte
Dessa penumbra espessa
Quando cada esforço
tem a mesma cor.

E então me pego a vigiar
Pretensão de ser estandarte
daquilo que sempre fluiu depressa
as  margens sempre, saltitando ao redor de profundo poço
tem a mesma cor.

Não importa se há vinho e nunca jantar
A Morte tem seus próprios afazeres, tão indiferente a Morte
e corremos aos outros deuses,às outras curas, à esperança assassina
O mundo, a cruz, a carroça,  o mais lindo decote carreguei no dorso
não há nada para olhar, não há nada para ser vista/ Apenas, seja como for

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Já observou o gato
observando o revoar
dos pássaros no fim da tarde?

Quando todos os pássaros já são pardos
o gato senta na janela, o peito imponente, as orelhas onipresentes
são dois triangulozinhos que não vão perder nenhum canto
Nenhuma asa pesada escapará.

Os olhos acompanham o revoar das maritacas
pares de sabiás, pombos em namoro, pardais moleques
os olhos acompanham, os pequenos instintos, 
a nobre hierarquia

e então se enrola em si, fecha os olhos e dorme
dorme macio, pois os tempos ainda são macios
e essa janela, esse mirante, pode ser o que quiser
sua cama, seu porto seguro ou só mais outra janela.
Paira tão inquieta esta dúvida, perdendo plumas suaves
O que leva um homem, a secura dos lábios aliviar com beijos sobre o grave.
Ergui meu pescoço, ergui meu maxilar
Vejo e quero sentir, é a ambição da minha pressa.

Quando bateram em minha porta e eu abri
Senhoras e Senhores, não pude dançar sozinha
Ao por a mão no chão há meu dedo riscou a terra, coisa que já foi pisada, deixa pra lá
O olho da rua me observa, nos observa
Tem algo grave, uma onda grave em um fio de corda

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

aos que choram
chuva com odor de camomila
chuva fantasma
pois transbordar-se em peso etéreo

domingo, 10 de novembro de 2019

quando passas os grãos de areia se percebem acúmulos
em densidade das explosivas, das de ser usina
empilhas penas, plumas e crias escombros
encarceras doces lembranças com ritmados pesadelos
criando um novo tipo de circo de aberrações
no qual duas deformações se exibem
mas moribundas pois pertencem a uma alma
e não a caixas escuras.

Ser tocada pela luz é sensual - e que os objetos sejam

tua lógica só és feia
e eu preciso organizar para desorganizar
organizar par desorganizar\

desculpe-me

sábado, 14 de setembro de 2019

Abandone este constante abandono, menina
Não queira na transversalidade dos teus dias
Cânticos sagrados para o deus dos desesperados
Com tuas mãos, manipule flores, plenas penas,
Piedades, para rearranjar, coroar, o que foi produto.

Os teus sonhos, sonhados aos milhões
Ferroados de colmeias mortas na tua dor
Sem mel em nunca algum.

Ícaro, que show belo pirotécnico
Asas flamejantes, glória em carbono
Cruzeiro dos céus, liberdade de queda, beijo da realidade
Tudo porque amou mais que tudo o fascinar-se pela luz, Ícaro
Tudo porque intensificou-se de calor
mais vital.

Sou menina
a vida um quintal
cercando-me de insetos que só incitam perguntas.

Qual é a medida do amor?
Qual é a medida do sonho?
Qual é a medida de ser humano?

Vermes respondem que a morte.
Marilyn Monroe era o sarcófago de Norma Jeane viva

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Eu te desculpei, tantas vezes pelas desculpas que criei para teu eu, teu corpo
Tudo estava bem, bastava que a inconsciência dos teus crimes trouxesse ao teu ethos um charme

Que tua boca não retorça, se sim joga-me a um inferno  do imperfeito e ilógico
daquilo chamado erros, a  persistência da inconstância, a promessa que não pude cumprir

Eu corria,  pegava linhas aleatórias, até cair em alguma escultura da Tomie Ohtake, e como desafiou o chão.

Vou morar nos devaneios
e dizer que estou quebrando o que me cerca
pois o que me cerca já me quebrou.