sábado, 30 de novembro de 2019

Uma vez expeliu
mentira, que fosse como os Cesares
que seus olhos estivessem fechados
Afinal a cretina já estava na posição errada.

Então expeles aos dias
não dá a luz, mas os berros
expeles aos dias
não dá a luz, mas as distorções

Distorções que o corpo faz
a expectativa mole
como um bebê não rijo

Expulsa-me
Expulsa-me, o prazer do dedo em riste
Expulsa-me duplamente.

Mas onde eu posso ir, se já estou no inferno?
Que tal conhecer as praias do caos?

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Gravitar gravida de enchentes,
coisa de mulher,
tempestde assm, saudade assim, alamar assim.

Se o fim for queda pertinente
aridez das misecordias, que verdade foram extremidades
Há lugar comum certo na tenda dos desajustados
mordaça é sempre cortesia.

Se o inicio for
Direi das plumas grávidas
lentas, entre ex-engenhos e suas reproduções
insustentáveis,  inaudíveis, abaláveis.
Direi de um voo. uma pena menina, ainda pulsou em palma de mão.

sábado, 23 de novembro de 2019

Como eu odiava
o som dos seus passinhos
a me seguir pela tarde
tal qual sombra, menos dois anos

Odiava seus medos durante a noite
que acendia a luz do meu quarto que já era castelo
querendo compartilhar a cama, meu reino
enrolando os travesseiros, dois anos a menos

Odiava seus vestidos mais bonitos
Sua inocência mais adoravel
Aquela sandalinha vermelha de tiras
a confusão do dia que estiquei os pés
e tentava entender qual era você

Eu posso ter me irritado,
Mas quando ventava forte
eu colocava seu corpo junto do meu
para não entrar poeira nos seus olhos
e doer

do que somos, é único e abençoado
não existe nada antes
nem depois.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Se a luz espiralada está ligada
sei que nos quatro cantos do quarto
se entreva a escuridão. densa, calada

Apague todas as luzes

Deixe a noite diluída entrar
Deixe os tornarem-se parte
Dessa penumbra espessa
Quando cada esforço
tem a mesma cor.

E então me pego a vigiar
Pretensão de ser estandarte
daquilo que sempre fluiu depressa
as  margens sempre, saltitando ao redor de profundo poço
tem a mesma cor.

Não importa se há vinho e nunca jantar
A Morte tem seus próprios afazeres, tão indiferente a Morte
e corremos aos outros deuses,às outras curas, à esperança assassina
O mundo, a cruz, a carroça,  o mais lindo decote carreguei no dorso
não há nada para olhar, não há nada para ser vista/ Apenas, seja como for

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Já observou o gato
observando o revoar
dos pássaros no fim da tarde?

Quando todos os pássaros já são pardos
o gato senta na janela, o peito imponente, as orelhas onipresentes
são dois triangulozinhos que não vão perder nenhum canto
Nenhuma asa pesada escapará.

Os olhos acompanham o revoar das maritacas
pares de sabiás, pombos em namoro, pardais moleques
os olhos acompanham, os pequenos instintos, 
a nobre hierarquia

e então se enrola em si, fecha os olhos e dorme
dorme macio, pois os tempos ainda são macios
e essa janela, esse mirante, pode ser o que quiser
sua cama, seu porto seguro ou só mais outra janela.
Paira tão inquieta esta dúvida, perdendo plumas suaves
O que leva um homem, a secura dos lábios aliviar com beijos sobre o grave.
Ergui meu pescoço, ergui meu maxilar
Vejo e quero sentir, é a ambição da minha pressa.

Quando bateram em minha porta e eu abri
Senhoras e Senhores, não pude dançar sozinha
Ao por a mão no chão há meu dedo riscou a terra, coisa que já foi pisada, deixa pra lá
O olho da rua me observa, nos observa
Tem algo grave, uma onda grave em um fio de corda

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

aos que choram
chuva com odor de camomila
chuva fantasma
pois transbordar-se em peso etéreo

domingo, 10 de novembro de 2019

quando passas os grãos de areia se percebem acúmulos
em densidade das explosivas, das de ser usina
empilhas penas, plumas e crias escombros
encarceras doces lembranças com ritmados pesadelos
criando um novo tipo de circo de aberrações
no qual duas deformações se exibem
mas moribundas pois pertencem a uma alma
e não a caixas escuras.

Ser tocada pela luz é sensual - e que os objetos sejam

tua lógica só és feia
e eu preciso organizar para desorganizar
organizar par desorganizar\

desculpe-me