terça-feira, 26 de julho de 2016

na minha dor cabe a beleza do movimento









com toda violência do meu corpo vivo
sacudirei os fios bizarros e pobres
da falta de alma do ar que criaram












o único jogo de não ser sendo
é e só é o de permanecer

quinta-feira, 21 de julho de 2016

obviar

como um pano de prato, limpo
num vitrô empoeirado, com sol
e cheiro de detergente, seco


clarear

como calendário ganhado
com salmo quase mofado, molhado
ao lado da porta do quintal
gentil

segunda-feira, 18 de julho de 2016

é que eu tenho esse direito
de não existência
de margem
de invisivel

é que não ser é quase  um céu
é quase ouro
e a loucura
é casa inevitável


estarei lá, estive lá
morarei aqui, desaparecerei aqui
e meu corpo importará
só corpo


pode ser ode ao suicídio
pode ser anseio de paz
pode ser que eu não sei
e não saber seja cama e colo


sábado, 16 de julho de 2016

AFAZERES DO DIA:

explodir a dependência
incendiar a submissão
crucificar a culpa
queimar a cruz também


inundar a sala de jantar
onze e quinze tocar siririca
pensar liberdade
desenvolver liberdade
cantar liberdade
construir liberdade

abrir a liberdade
estende-la no chão
pra todo um povo passar
pra que eu passe