quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

paixões e a escatologia da minha alma
Era uma vez um belo rapaz
Que só se afogava com o que não era capaz
Um dia acordou enforcado na própria mediocridade
E como Dorian Gray escondeu sua vaidade
Pudera, todo o seu desejo era kafkaniano
Como inseto que era, acordar de costas imobilizou seu ego plano
Não se movia, não se curava, não existia, não se expressava
Dentro de si somente era onde morava.
Sua alma doente transformou sua doçura em violência
Restava venerar a própria intransigência.
Ao amor só conseguia responder com chutes
Mal sabia, mas seu coração já apodrecera
E fora devorado por abutres.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

se o que me protege é o que limita
não há outro caminho
a não ser não ser

sábado, 17 de dezembro de 2016

a experiencia de uma realidade tóxica
a parte mais doente de mim se apaixonou pela mais doente de você
desta união só nasceria o que já estivesse morto
fantasmas inerentes
demônios de riso solto
pouco a pouco
todos os acidentes emocionais
com vitimas irrecuperáveis
abrem-se em anestesias

e a pele formigando
ao vento
ao sol

e o corpo reverbera
e delineia uma palavra preciosa:
confiança

que em seu sentido mais interno
pode traduzir-se como cura

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

bipolar

tempo vazio
de doenças
e incompreensivel
alvejadas como o nada
nem muletas
nem vontades
nada se trata
se não é vista

levanta-te e andas
você e suas mentiras

domingo, 11 de dezembro de 2016

eu vou pra cama cheirando cigarro
eu sou tóxica

eu não pertenço
e tua cama macia é só tua cama macia
quando a queda finalmente vier
será rápida, eu sei
mais que qualquer lampejo de razão
e de qualquer modo será pura
a queda mais pura que a vida pode envolver


ele me abraça quando sou só convulsão
diz que não estou sozinha
diz que vamos lutar juntos
diz que vamos mudar

seu amor é bom
seu amor é prego
me aprisiona nessa existência
e em suas chagas
seu amor  é mau